quarta-feira, janeiro 09, 2013

Sonhos ao relento




Eu ando pelas ruas, recolhendo sonhos,
deixados ao relento.

Espatifados pelo vento.
Filhos bastardos do destino,
largados pelas mãos invisíveis do tempo,
à minha porta.

Recolho-os, galhos e gravetos molhados,
na última estação das águas.
Seco-os com os cachos dos meus cabelos.
Perfumo-os com o óleo dos jasmins,
que florescem - sempre -, em novembro,
e enfeitam a minha passagem,
sem se importarem com a minha vontade.

Embalo-os no berço fantasma
dos filhos que não tive.

E escondo-os de mim mesma,
numa caixinha de música
(antiga):
-onde a bailarina está nua
e tem as pernas quebradas.
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