terça-feira, julho 08, 2008

As àguas revoltas da vida...


As àguas revoltas da vida
me envolveram em seu torvelinho denso
de troncos e raízes arrastados
pelas mãos descarnadas do tempo.

-- esse sádico maestro de sonhos

que teima em descosturar as malhas da ilusão
entretecidas, sempre, ao cair da tarde
na longa espera, à porta da casa.

Ajoelhada em volta do fogo
fico à espreita das labaredas,
que vêm lamber as brasas.

Os cabelos emaranhados da noite.
Os lençóis desmanchados em suor e sangue.
A desdita do trabalho em vão.

As pérolas e seus colares atados de nós.
O nascente e o poente
que não mais querem brincar de esconde-esconde
no desorizonte.

As rugas dependuradas na face.
O olhar de peixe morto.
Um bater de asas.
Portas e janelas da casa.
Fechadas.
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