quinta-feira, julho 04, 2013

Chuva da madrugada

 
 

 
 
Chuva da madrugada
        - abençoada -
me cobre com seu manto molhado:
penetra-me nas carnes sedentas
de amor,
sonolentas e insones,
que nesta noite recusam-se
a habitar o reino dos sonhos.

Trás a calma das estrelas e a luz de outros sóis,
que visitastes em suas viagens siderais.

Invade-me o meu bosque interior
e lava-me as entranhas,
perfuma-me os travesseiros
e os lençóis;
desmancha os meus cabelos,
desvela-me os seios,
em sacrifício.

Oferece-me  aos guardiões das madrugadas,
antes que se abram os portões do Sol.

Nesta noite de vigília, oh, chuva,
lava-me a alma ferida de morte,
e resgata a flor, já murcha,
da minha esperança.
 
Imagem: Water Woman Mermaid
by Adrian Borda
 


São Paulo, 05 de Julho de 2013.
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