Escolha as suas cerejas preferidas, e aprecie-as, deliciosamente...
Sacos de estrelas
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Brotar da escuridão da noite
e voltar,
derrepente,
para o meio daqueles
que me deixaram insepulta.
Destino de louco é andar pelo mundo,
carregando sacos de estrelas.
Ilustração: José Emroca Flores
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Comentários
Anônimo disse…
really good! especially the last two verses. Short but very evocative. Your style is evolving.
Anônimo disse…
Marisa,
muito grata pela delicadeza do teu convite para visitar teu jardim de cerejas! Muito bonito o espaço para a Poesia aqui... Parabéns! Virei com mais vagar em outras ocasiões. Quem sabe já com a conta blogger para não assinar anonimamente?! Um grato abraço,
As àguas revoltas da vida me envolveram em seu torvelinho denso de troncos e raízes arrastados pelas mãos descarnadas do tempo. -- esse sádico maestro de sonhos que teima em descosturar as malhas da ilusão entretecidas, sempre, ao cair da tarde na longa espera, à porta da casa. Ajoelhada em volta do fogo fico à espreita das labaredas, que vêm lamber as brasas. Os cabelos emaranhados da noite. Os lençóis desmanchados em suor e sangue. A desdita do trabalho em vão. As pérolas e seus colares atados de nós. O nascente e o poente que não mais querem brincar de esconde-esconde no desorizonte. As rugas dependuradas na face. O olhar de peixe morto. Um bater de asas. Portas e janelas da casa. Fechadas.
Ajoelho-me as tuas margens. Arrasto-me. Arrasada, ergo os olhos para tuas encostas. Tuas intangíveis escarpas. Como alcançar-te no ponto exato, onde te perdi? Muralhas.Mulheres. Outras mãos deslizando sobre tua pele. Escalpo. Florete. Mandarim. Um olho cego desnorteia-me nessa procura obscura. Perdi o mapa do teu peito. Florestas. Tramas. Ramas. Tento decodificar os arabescos indecifráveis. Teus rastros deixados em minhas paredes uterinas. Hieróglifos. Caracteres de uma escritura sagrada. Eu tinha a bíblia do teu amor, aberta, sobre a minha penteadeira, Mas não a li. Escovas. Cabelos. Arlequins. Experimento novas e antigas máscaras. Vejo-me no espelho e não reencontro mais o meu rosto. Mestre. Mastro. Maestro. Tua deixaste de reger a orquestra de sinos de ventos, que cantarolavam em mim. Nas insones noites, feitas de longas despedidas e ausências. Abandonaste a casa que te serviu de abrigo, na escuridão dos meus dias...
Imagem: Love Toshev Artist Submersa no oceano que me habita minha casa emerge a sua chegada. As janelas são cisnes que abrem suas asas em eterna posição de vôo. Pela tromba do elefante espio o pouso da sua nave interestelar penteando as àguas descabeladas de Netuno. Os tenazes guerreiros postados às portas persistem em eterna posição de lótus. E as sereias que me fazem companhia, tramando comigo a infinita rede de dias e noites, (onde, como o poeta, descansa o tempo) se alvoroçam com sua presença, fria e mortal deus titânico das marés, skywalker das galáxias. Seus dedos riscam anéis de luzes em meu corpo bordejam borboletas so blues, brincam de tatuar serpentes azuis que deslizam sobre a minha pele e desaparecem na praia de areia fina e escaldante do meio dia. Despertas a fúria...
Comentários
muito grata pela delicadeza do teu convite para visitar teu jardim de cerejas! Muito bonito o espaço para a Poesia aqui... Parabéns! Virei com mais vagar em outras ocasiões. Quem sabe já com a conta blogger para não assinar anonimamente?! Um grato abraço,
Lilly Falcão :)