sexta-feira, março 20, 2009

O Anel era Vidro e se Quebrou

                                                                                                       
                                                                    

Se os teus cabelos, agora prateados,
desfalecem nas pradarias até onde meus olhos alcançam,
como posso ter ombros fartos para suportar o peso dessa jornada?

O anel que tu me destes era vidro e se quebrou.

E o olho de tigre que eu trazia pendurado no pescoço,
esticou suas raízes bem no centro do meu peito,
e, agora, é uma àrvore frondosa,
à sombra de quem posso descansar,
quando, finalmente,
é chegada a primavera.

Agora, não tenho mais que acordar de madrugada
para olhar o céu,  e contar as estrelas, uma por uma:
Estou sem fé, fotos ou notícias que sirvam de enredo
 para publicar a estória  de minha via crucis.

Não carrego mais malas,
 nem desço sozinha na próxima estação das flores,
pois sei que você não estará mais lá,
com seu charme de homem na idade do lobo
e as imensas asas de anjo, a me esperar...

O violão que voce desenhava no meu corpo,
com o suave toque dos seus dedos longos,
há muito tempo apagou-se,
levado pelos meus incensáveis banhos de lágrimas.

Teus dedos desnorteados,
arrebentaram as minhas cordas.

Não tenho mais ritmo,
nem música de acalanto,
para o filho que, juntos, não geramos.
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